segunda-feira, 30 de abril de 2007

Uma manhã especial, passada entre gente especial

Poderia dizer que são amigos virtuais pois há muito que se conhecem e trabalham juntos sem se conhecerem fisicamente. Mas, penso que não... São amigos bem reais. Utilizaram a Internet para se conhecer e comunicar como poderiam ter utilizado postais dos correios ou sinais de fumo.
Soube da história e do que faziam juntos através do blogue da 3za. Hoje tive o privilégio de passar a manhã com eles. São alunos de uma pequena escola perto de Ribamar, uma professora muito especial - A melhor professora do mundo, segundo as suas palavras - e uma amiga que não queria ser médica mas antes poeta, cantora e sobretudo professora...
Conheceram-se hoje, mas já eram amigos há muito tempo... A foto da amiga está colada na parede da sala ao lado dos textos que escreveu e que eles coloriram.

Hoje dramatizaram uma das suas musicas, declamaram os seus poemas, cantaram juntos o Rock da matemática e trocaram longos abraços. Eu tive o privilégio de assistir a tudo isto cheio de esperança no que pessoas especiais conseguem, e conseguirão sempre, fazer com a ajuda das tecnologias....

Um muito obrigado à 3za, à Imaz e aos alunos pelas prendas que hoje recebi.

Boa semana...

domingo, 29 de abril de 2007

Conversas sobre a pele

Um dia destes as palavras deslizaram até uma conversa sobre a pele. LP, pareceu-me, gosta de poesia erótica, coisa que sempre vi sem crítica mas com alguma distância. Nela é ainda mais difícíl a arte das palavras, para que surjam poderosas nos seus meandros de argila, em vez simples bandeiras feitas choque desfraldadas.

Fiquei algum tempo a pensar sobre esse diálogo que cada um de nós tem ou não com o nosso corpo. R, um amigo de longa data que é muito improvável que me leia, ocupado que sempre está com o destino dos seus animais, sempre foi o único que costumava perguntar-me directamente como ia o meu corpo e se estava a tratá-lo bem. Muitas vezes baixei os olhos perante a nudez das palavras que ele usava, mas aquilo fazia-me bem. Como tinha que lhe responder, tinha que pensar e portanto entrava em diálogo com a minha pele. Às vezes pedia-lhe tempo: não sei, não te sei dizer, não tenho conversado com ele.

A última vez que me fez tal coisa foi mesmo via sms, mas agora que a adolescência já passou e com ela a inibição maior, o diálogo foi feito de riso. Já cresci do tamanho dele, eu que sempre fui mais pequena. Não nos tornamos mulheres com a primeira menstruação, isso é apenas um prenúncio do que podemos algum dia ser. Provavelmente muito depende das conversas que temos com a nossa pele.

R deu-me como prenda de Natal um creme para o corpo com uma maçã verde a sorrir para mim na tampa da embalagem. Devem ser raros os homens que oferecem coisas destas. Agora que é Primavera, apetece-me mais ser parte da própria natureza e portanto abri a embalagem. Apesar do seu intenso cheiro a maçã é branco, ainda mais que a minha pele. E também é doce e macio. É, sem dúvida, uma boa ajuda à conversa.
~CC~

Às vezes...

Às vezes apetecia-me poder (re)escrever-me. Como se fosse um palimpsesto.

Bom domingo!

sábado, 28 de abril de 2007


Era bom se ninguém pudesse ver.
Não teria receio de não saber
e deixava a dança levar-me com ela
~CC~

sexta-feira, 27 de abril de 2007

Almada

Hoje fui lá. Se já vivi metade da minha vida, foi nesta cidade que vivi a maior parte dela.

1. A Fonte Luminosa - Desci a avenida em direcção a Cacilhas e... a Fonte Luminosa desapareceu. Admito que não era nenhuma obra de arte, mas o olhar estava habituado a ela. Pareceu-me outra cidade. Transfigurou-se a rotunda para deixar passar o "progresso". O Metro da margem sul. Também já não tem árvores, a avenida. Espero que, uma vez findas as obras, as replantem.

2. Almadanada - era o nome de uma livraria com música dentro. Fechou há muito. Talvez por causa da sua alma danada.

3. O Dragoeiro - era centenário e morava na Rua Cdte. António Feio. Há alguns anos subiu ao velho casco da cidade e encontrou um lugar no jardim da Casa da Cerca. Belíssima Casa da Cerca, donde vemos Lisboa no seu maior esplendor. No sítio dele foi construído um prédio modernaço e nem se suspeita do que por ali existia antes.

4. O Central - passo sem entrar. Fico com vertigens sempre que o vejo assim plastificado, desfigurado.

5. A Emídio Navarro - Olho-a e penso na entrevista da Ministra da Educação à revista Visão. Espero que não faça parte do plano de "alienação do património"...

Voltarei com as árvores da avenida, mas não tenho a certeza de não me sentir uma estranha, nesta "nova" cidade.

quinta-feira, 26 de abril de 2007

Em redor dos frutos

Amanhã é o dia da plantação das árvores. Acontece-me ter uma coisa comigo tanto tempo que acho que ela já aconteceu e é o caso desta. Mas afinal é ainda amanhã.

Entre uns frutos que pareciam brilhantes mas eram de estufa e sem cheiro, há alguns que acho que serão mesmo do campo e quero saborear bem. Um deles tem um sabor especial. Chama-se "Anestesia para a tristeza" * e é um projecto de tempos livres com crianças queimadas. Sim pode parecer estranho mas elas designam-se assim a si próprias, gostam de chamar as coisas pelos nomes. E quiseram vir dizer "como era" pela sua própria voz. E não obstante a exposição da dor ser qualquer coisa que acho sempre susceptível de muitas interpretações e algumas delas más, não podia dizer que não viessem.

E nas redes há sempre uma magia a acontecer...hoje uma estudante disse-me:
- Amanhã o que era mesmo bom era se o R. pudesse estar...ele é que fala como ninguém daquelas férias que passamos juntos.
E eu: mas o R vem, está cá amanhã.

É uma estudante que tem sido voluntária nos campos de férias para crianças queimadas e não pensou reencontrar aqui R, com o qual tem passado muitos verões.

Eu não sei se isto vale a pena, se é isto o nosso encontro, mas vou tentando.
~CC~

* Este projecto e respectiva comunicação é dinamizado pela Prof. Aldina Lucena, docente da Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Setúbal (nem a conheço, mas entrou na minha rede e já gosto dela).

O meu amigo

Sem penas ou lamentos deixou-a sair de si. Da sua vida. Não tentou retê-la.
Tinha buscado um pedaço de constância e, por isso, abriu-lhe a porta outra vez. Voltou a deixá-la entrar.
Mas, um ano depois, o desencontro tinha marcado encontro com eles pela segunda vez. O meu amigo já tinha esquecido a lição de Heraclito (não podemos entrar duas vezes no mesmo rio, porque, ao entrarmos pela segunda vez, as águas já não serão as mesmas e nós também não). Esqueceu-a nos cadernos de filosofia do 12º ano, mas retomava-a agora para alimentar a objectividade que, teimosamente, queria manter.
Afinal, a relação mais longa continuava a ser com aquele ser que, silencioso, deslizava entre o sofá e o chão, ronronando quando se esquivava às carícias. Esperava-o todo o dia, todos os dias, todas as noites.
Olho-o e pergunto-me se o dique resistirá à força das lágrimas que teima em aprisionar. Tenta desfazer com o fumo dos cigarros os nós que se instalam na garganta e deixa que o olhar se perca lá atrás, naquele Verão incendiado em que juraram amor (quase) eterno.
Lembro-me que havia música na igreja, não música religiosa, mas músicas escolhidas por eles. Lembro-me de ouvir Wonderful World, das outras não.
Hoje ofereço-lhe esta para o caminho que tem pela frente, porque acho que vai gostar, e abraço-o devagarinho porque li a etiqueta: frágil - tocar com cuidado!

Todo cambia


Cambia lo superficial
cambia también lo profundo
cambia el modo de pensar
cambia todo en este mundo


Cambia el clima con los años
cambia el pastor su rebaño
y así como todo cambia
que yo cambie no es extraño

Cambia el mas fino brillante
de mano en mano su brillo
cambia el nido el pajarillo
cambia el sentir un amante

Cambia el rumbo el caminante
aunque esto le cause daño
y así como todo cambia
que yo cambie no extraño
(...)
Cambia el sol en su carrera
cuando la noche subsiste
cambia la planta y se viste
de verde en la primavera

Cambia el pelaje la fiera
Cambia el cabello el anciano
y así como todo cambia
que yo cambie no es extraño

Pero no cambia mi amor
por mas lejos que me encuentre
ni el recuerdo ni el dolor
de mi pueblo y de mi gente

Lo que cambió ayer
tendrá que cambiar mañana
así como cambio yo
en esta tierra lejana

Cambia todo cambia
Cambia todo cambia
Cantado por Mercedes Sosa

quarta-feira, 25 de abril de 2007

Chapeus há muitos....


....mas hoje, foi este o mais estranho que vi!