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quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Se deseja ler um livro no nosso estabelecimento, estão à sua disposição!

Passávamos por Tarragona a caminho de Barcelona. Paramos para visitar a cidade e entramos numa pastelaria para tomar o pequeno almoço. Vi livros num canto e lembrei-me do Bookcrossing. Seria um dos locais de troca onde os leitores deixavam e levantavam livros.

Quando me aproximei e li o cartaz percebi. Os livros são dos donos da pastelaria e estão ali para serem lidos pelos clientes. Perguntei se a ideia resultava e disseram-me que sim. Têm clientes que vêm para ler... Apeteceu-me ficar em Tarragona e ler um pouco todas as manhãs à hora do pequeno almoço....

Também sabemos que o contrário existe. Locais onde procuram que o cliente consuma e fique o menos tempo possível a ocupar espaço. Ali, a simpatia da dona e o cantinho dos livros não deixavam margem para dúvidas: o espaço existia para que o cliente se sentisse bem!


Ps. Claro que a autorização para fotografar o espaço foi dada com um largo sorriso nos lábios! Referir ainda que os bolos eram óptimos!

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

São eles que escrevem muito ou eu que tenho preguiça?

Não sei o que deu aos meus autores favoritos para começarem a escrever calhamaços como se tivessem todos perdido o poder de síntese! Foi preciso alguma coragem para me aventurar com o "Sangue dos Inocentes" da Júlia Navarro de que gostei muito... O "Estado de Pânico" do Michael Crigthon esperou mais de um ano na prateleira e foi até emprestado antes de conseguir a coragem necessária para o ataque das suas 700 páginas! Agora espera-me "A sétima Porta" do Richard Zimler, com uma dedicatória assinada pelo próprio. Este último já viajou até ao Porto, onde passou uma temporada na estante da Clorinda que o devolveu intacto, comprovando assim que esta preguiça, ou respeito pelo número elevado de páginas, está presente em mais membros da família. Este facto seria igualmente comprovado numa curta conversa com o A. para quem tudo o que tenha mais de 100 páginas é demasiado grosso!

Mas, voltando à conversa, enquanto ganho coragem para as "listas telefónicas" vou lendo outros de menor monta - em número de páginas entenda-se! Foi assim que li "Notícias de um sequestro" de Gabriel García Marquez, de que não gostei particularmente... Muito descritivo, muitos dias de cativeiro. Claro que o livro se baseia em factos reais e por isso o autor não pôde dar azo à imaginação e escrever histórias fantásticas como tão bem sabe!

Sábado, na FNAC, dei por mim a procurar livros de Oscar Wilde. Quase aos 40 anos nunca tinha lido nada dele que não fossem meras citações. Encontrei, e resolvi trazer, "O retrato de Dorian Gray", que vim a saber depois ter sido o único romance que escreveu.

Quando ia pagar, o empregado pergunta-me:

Emp.- Ainda não leu?
Eu- Não.
Emp. - Acabei de o ler há uns dois meses... muito bom!
Eu. - Vou ler agora
Emp.- Quer ver? - Diz ao ver aproximar uma colega - O que achas deste livro?
Ela.- Muito bom mesmo. Ninguém fica indiferente a este livro... Há mesmo o antes e o depois de o ler!
Emp.- Está a ver... o livro que li era dela, foi ela que mo aconselhou e emprestou!

Bom, com esta conversa de vendedor aumentaram as minhas expectativas e o livro passou à frente da "Sétima Porta"... sem entrar.

Por hoje chega de falar de livros... até porque pode dar má fama a um blogue que ninguém lê que, por definição, só poderá interessar a pessoas que gostem de não ler!


PS. Não posso falar da Sétima Porta por ainda não ter lido, mas se não conhece o autor, aconselho a ler qualquer um dele e em particular "À procura de Sana"
PS2. Este blogue vai passar a ser escrito apenas em notas "PS"
PS3. O último parágrafo é apenas uma provocação... estou à espera que encham a caixa dos comentários com frases do tipo: Isso não é verdade eu apenas não gosto de ler este blogue!
PS4. Só publicarei os comentários, referidos no PS anterior, se não forem muito duros para a gerência cá da chafarica pelo que não se admirem se o contador de comentários continuar a zero!

domingo, 10 de agosto de 2008

Estado de pânico

Confesso que é um dos meus autores preferidos. Parece-me, no entanto, que se esticou um pouco no desenvolvimento do tema. As quase 700 páginas do livro fizeram com que esperasse quase um ano na minha prateleira. O advogado e as amigas são corajosos e mais que uma vez arriscam as vidas para salvar as de outros, mas... Michael, não haveria outras pessoas mais bem treinadas para o fazer? Bem sei que o Rambo está a ficar velho e que contaram com a ajuda do Dr. Krenner, mas não se tratava aqui, como no parque Jurássico por exemplo, de salvar as próprias vidas...Quando se trata de dar a volta ao mundo para enfrentar eco-terroristas não seria melhor pedir uma ajudinha e contar com o apoio de pessoal especializado com treino militar?

O livro reflecte uma série de dúvidas quanto a tudo o que está por detrás da luta pela defesa do ambiente. Fala-nos da necessidade de nos manter em constante estado de pânico. Como sempre, o autor documenta-se e deixa-nos uma série de referências para nos ajudar a pensar. As ideias são discutíveis, mas fazem sentido e são interessantes.

Como ele, também eu tenho apenas uma certeza:

"Tenho a certeza de que há demasiadas certezas no mundo" (p686 ed. D. Quixote)

Se não tiverem nada melhor à mão e o tema interessar leiam... Mas, o autor, que dizem ser um dos mais lidos do mundo e que criou um novo estilo denominado "techno-thriller", já deu provas de que consegue fazer bem melhor.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

O Sangue dos inocentes....

"O sangue dos inocentes", de Julia Navaro, foi o livro que me acompanhou este fim-de-semana. É um livro grande, com cerca de 600 páginas, e é também um grande livro.

Vou sensivelmente a meio e já muito sangue inocente foi derramando. Estou a gostar mas é impressionante como as personagens aparecem, envelhecem e desaparecem dando lugar a outras... Parece uma história cheia de histórias que certamente terão todas algo em comum.

A acção já se situou em Bilbau, Granada, Roma, Berlim, Israel, Paris, Carcassone, Palestina,... Já passou também do Séc. XIII para 1939, para o fim da segunda guerra mundial e está agora na actualidade.

Um jovem, que apareceu por volta da página 200, é agora velho! Outro, que apareceu por volta da página 100, já morreu, bem como toda a sua família.

O sangue continua a ser derramado! Sangue cristão, judeu, muçulmano... sempre sangue inocente derramando em nome do fanatismo religioso!

O livro promete...

Vou ler mais um pouco,
até amanhã!

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

O meu "cabalista" preferido


Sabia que seria em Setembro, soube em Julho que seria em Setembro, só não sabia quando. Passaria pelas livrarias para perguntar se já tinha sido. O quê? O lançamento do próximo romance de Richard Zimler. Há pouco encontrei aqui a data. Vamos lá?


terça-feira, 7 de agosto de 2007

Apanhada pela Sombra*

Há dias que ando assim. Não muitos, porque a urgência de a consumir é grande. De me apossar da Sombra. São coisas que nos acontecem, quando pensamos que possuímos qualquer coisa, damos connosco consumidos, apropriados pelas coisas que queremos.

Foi o que me aconteceu com este livro. Devia estar avisada se tivesse estado atenta aos caracteres miudinhos (como nos contratos comerciais, ou nos das companhias de seguros, ou nas inúmeras advertências que nos fazem em sussurro e às quais não ligamos muito) impressos na capa “Uma história inesquecível sobre os segredos do coração e o feitiço dos livros”. Ative-me só ao título, foi ele que me apanhou – acontece-me muito ficar presa a um bom título, mesmo que não conheça o autor – boa estratégia de marketing, sem dúvida.

Na verdade, não liguei muito aos segredos do coração e preferi deixar-me enfeitiçar outra vez, como de tantas outras vezes. Foi tiro certeiro, passou a povoar-me os sonhos e o sono, procuro a sua companhia em qualquer momento e ele lá está à minha espera, certo do sortilégio em que conseguiu enredar-me. Mas o autor também nos alerta para isso quando nos diz que os livros são espelhos para quem os lê…

Um dos meus personagens preferidos chama-se Fermín Romero de Torres e é da sua boca que saem estas frases:

O destino costuma estar ao virar da esquina. Como se fosse um gatuno, uma rameira ou um vendedor de lotaria: as suas três encarnações mais batidas. Mas o que não faz é visitas ao domicílio. É preciso ir atrás dele.”p.241. Conhece bem a vida e as suas redes, feitas de nós e laços, o homem que escreveu estas palavras.

*Falo-vos d’A Sombra do Vento, de Carlos Ruiz Zafón, D.Quixote, 2004.

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

(Re)leituras de Verão

Há quem faça limpezas de Verão, eu gosto de fazer releituras.

Gosto muito de regressar aos livros de que gosto. Assim, como fazemos com os amigos que não vemos há muito tempo: pegamos no telefone e ligamos - "Então, há novidades?" - "Não, era só para saber de ti, se ainda estavas por aí"; - "Claro! Temos de nos encontrar um dia, mas fiquei contente por teres ligado"...e por aí adiante. Com os livros é parecido. Hoje apeteceu-me falar com (d)este:

"Brilha o céu, tarda a noite, o tempo é lerdo, a vida baça, o gesto flácido. Debaixo de sombras irisadas, leio e releio os meus livros, passeio, rememoro, devaneio, pasmo, bocejo, dormito, deixo-me envelhecer. Não consigo comprazer-me desta mediocridade dourada, pese o convite e o consolo do poeta que a acolheu. Também a mim como ao Orador amarga o ócio, quando o negócio foi proibido. Os dias arrastam-se, Marco Aurélio viveu, Cómodo impera, passei o que passei, peno longe, como ser feliz
?"

in, Mário de Carvalho, Um Deus Passeando Pela Brisa da Tarde, Ed. Caminho, 1994

domingo, 29 de julho de 2007

Ainda os livros*

"Agora as minhas letras descansam dentro de mim, mas vou lendo as tuas e o modo como às vezes elas dizem mais de ti do que tudo o resto...é assim a escrita." Disse a CC no comentário ao post Ler. E eu digo-lhe em jeito de correspondência epistolar:

"Cara CC,

Não sei se estou de acordo contigo (mas também já não é novidade). A escrita tem o seu lugar, a sua função, mas também tem, para mim, alguns limites: os limites da comunicação. Não há nunca um face a face entre quem escreve e quem lê, no mesmo acto de comunicar, tudo é sempre em diferido. Como sabes, apesar de o fazer, incomoda-me o processo virtual em que escrevemos. Prefiro incomparavelmente o calor de uma boa discussão e o som das vozes à frieza desta escrita/leitura à distância. Olhar-te nos olhos é diferente de escrever para que me leias, não sei onde nem quando. É este desconforto que nomeio de cada vez que nos interrogo por aqui. Acho-a incompleta, esta relação inodora e sem contornos que por aqui vamos estabelecendo, compreendes-me? E, olha, o que descobri ontem, apesar de já ter sido escrito há algum tempo – George Steiner, O Silêncio dos livros, Gradiva, 2007:

A escrita constitui um arquipélago na imensidade oceânica da oralidade humana. (…) Milhares de anos antes do processo de desenvolvimento das formas escritas já se contavam histórias, já se transmitiam por via oral ensinamentos de carácter religioso e mágico, já se compunham e transmitiam fórmulas encantatórias de amor, ou então anátemas”. p.8

E, mais adiante, sobre a música: “Não existe neste planeta um único ser humano que não mantenha com a música um qualquer tipo de relação. A música, sob a forma do canto ou da execução instrumental, parece ser de facto universal. É a linguagem fundamental para comunicar sentimentos e significações. A maior parte das pessoas não lê livros. Porém, canta e dança” p.9

E, depois sobre as origens “(…) a nossa herança intelectual e ética, bem como a leitura que fazemos da nossa identidade e da morte, vêm-nos directamente de Sócrates e de Jesus de Nazaré. Nenhum deles, contudo, fez questão de ser autor e muito menos de ser publicado” p. 9

Repara que ele fala de herança intelectual e ética, mas, e as outras, as dos sentidos, as dos sentires?

Atenta bem agora, "(…) Sócrates não escreveu nem ditou. São profundos os motivos que explicam esta questão. O confronto olhos nos olhos e a comunicação oral em espaços públicos são razões essenciais. (…) Em Sócrates, o pensamento, mesmo o mais abstracto, e a alegoria, mesmo a mais impenetrável, supõem a experiência vivida, irredutível a toda e qualquer textualidade muda.” pp. 9-11

Que fique claro que não advogo qualquer retorno às origens, serei eternamente dependente da escrita e…dos livros, mas prefiro de longe a (con)versa, as vozes nas conversas, os olhares e os corpos.

E para acabar por hoje, porque está muito calor e os sentidos andam à solta, não quero correr o risco porque “O escrito apodera-se dos sentidos” p.14

Abraços cheios de calor,
C."

*Escrito ao som de Miles Davis.

sábado, 28 de julho de 2007

Ler

É nome de livraria. Livraria de bairro. São 11 da manhã e depois do cafezinho habitual, das brincadeiras no parque e de alimentar os patos com miolo de pão, vamos à livraria.

Três homens idosos discutem pausadamente, fazem uma espécie de crítica literária oral. Trocam pontos de vista, preferências e gostos. Um deles é o dono, o outro um empregado e o terceiro um cliente respeitado e habitué.

Este último levanta-se e pega num livro, mira-o e exclama "Philip Roth, é um judeu americano, ganhou um Pulitzer e parece que se prepara para ganhar um Nobel (ou Nóbel, como diz o nosso Saramago). Nunca li nada dele, mas olhe vou levá-lo também. Sabe, há algumas lacunas que gostava de eliminar antes que tudo se acabe, é que já são 93 e meio e um olho a menos, mas quando acabar acabou. Hoje está muito calor, ainda pensei ir às Amoreiras mas, agora que já tenho companhia, vou para casa e já não saio". Disse tudo assim de rajada, pagou e saiu apoiado numa elegante bengala de madeira cor de mel.

Chega a minha vez, mas não há o que procuro. O dono, solícito, mostra-me as novidades e dá-me conselhos: "Já leu este? É extraordinário. Leia e depois diga-me se gostou". Trata-se de Selma Lagerlöf e da Maravilhosa viagem de Nils Holgersson através da Suécia. Trouxe-o comigo e parece-me que peguei num pedaço de história muito particular (como pode ser qualquer livro). Há dias ao (re)ler o Futuro está aberto, um conjunto de entrevistas feitas a Karl Popper e Konrad Lorenz, tinha encontrado o seguinte "(...) Quanto a Selma Lagerlöf, Karl já disse de forma mais agradável que fomos ambos influenciados por ela, apenas com a diferença de que ele se apaixonou pela Selma Lagerlöf... e eu pelos gansos selvagens", in O futuro está aberto, Editorial Fragmentos, 1990, p.19

Hei-de voltar, depois de ter lido, para cumprir a minha parte do acordo.