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sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Desafio...

Chegou mais uma participação...
A Clo não se conformou com a desclassificação e resolveu escrever um poema original.

Caso resolva também ainda aceitar o desafio, envie o texto ou o poema para ser publicado aqui onde ninguém o lê!

VIII
-Clo-
(A casa e o mundo)
União

Olha para mim
Não tenhas medo
Não, não te esquives
Antes de me conheceres,
É preciso tempo
Repara bem, preto, branco,
Apenas nuances...
Vermelho é a cor do coração,
É aí, nesse lugar
Que eu te quero guardar.

Não ligues a esses olhares
Indiferentes e frívolos,
Não é de mim preto,
Ou de ti branco
Que eles, se querem esconder
eles, têm, é medo de ser

Ser humano, raça não tem cor,
A cor existe porque o homem a definiu
Sabes! vou contar-te um segredo
Isto que tu vês não é apenas preto,
Aproxima-te nada temas,
O importante na vida, não é,
Só, uma cor, mas todas as cores de
Mãos dadas, almas perfeitas
Que aprisionaram a indiferença
E a rejeitam.

Desafio...

Este é o último dos sete textos que recebi. A todas(os) muito, muito obrigado.

Senti que não saberia escrever a história que a imagem tinha para contar... Agora existem sete histórias lindas, aqui escondidas, onde provavelmente ninguém as lê....

Os textos continuam a ser propriedade de quem os produziu. Caso os queiram levar daqui, devem entrar em contacto com os seus autores. No caso de não estarem identificados, eu posso servir de intermediário.

(Ver todos os textos)


Nasci em Lourenço Marques, onde vivi até aos meus 6 anos, sempre a brincar descomplexadamente, com tantas outras crianças negras e, como tantas outras crianças negras. Nunca senti diferenças...
As brincadeiras eram gozadas em grupo, onde todos participavam. Sabíamos todos correr, rir, saltar e até chorar.
Cedo senti que a cor da pele não faz de nós seres diferentes.
Cedo percebi que uma lágrima deixada cair num rosto negro, não era em nada diferente às deixadas cair pelo meu.
Cedo verifiquei que um joelho dorido negro, sentia uma dor igual à minha.
Já foi mais tarde, mais crescidinha, que comecei a reparar nas diferenças. Curiosamente, quando comecei a estar mais atenta para estas questões, já nem vivia com pessoas de cor diferente da minha.
Descobri o egoísmo, a hipocrisia, a falsidade, a desumanidade, a indiferença, a pobreza de espírito... E percebi que essa é a real diferença que nos repele e separa, e que infelizmente não é visível a olho nu...

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Desafio...


VI
José Ribeiro Marto

O ganso


o ganso no remanso
do arbusto
corria à migalha
num sobressalto
num susto

o miolo do pão
era a distracção
do ganso
insolente e brusco

o outro ganso
ali parado
perto de uma sombra
quieto
ali olhado

alguém passava e murmurava :
olha outro ganso saído do remanso


vê os gansos :
um negro outro branco !
avó e neto a dar-lhes de comer
também saídos do remanso
da sombra
do assento
da brisa
do descanso

o bico do ganso preto
corria ao bico do branco
abrindo círculos perfeitos
na certeza da colheita
no tocar do instante


eu distraía :
lançava a minha migalha ao longe
e o ganso cinzento vinha ao pão
humilde fingido como um monge

sentia-me abismado sozinho
enquanto a tia Singela
roubava hastes de plantas do jardim
vinha a espaços espreitar
alisando na terra os passos e
punha tudo nos sacos entre-abertos
segredos que floreciam
nos seus jardins secretos

ninguém sabia como dizia
«além de ti e da minha fraqueza»

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Desafio...

~Carla~
(Ardósia azul)

Crescemos como irmãos na diferença da nossa cor e na semelhança dos nossos olhares. Invejava o brilho negro das tuas penas, ao passo que me entristeciam as minhas descoradas. Vejo-te por fora mas é como se me visse a mim por dentro. Aprendemos juntos as primeiras danças na água e trocámos as pequenas iguarias que cada um apanhou. Eu não sou sem ti. Por isso o teu adeus é dizer adeus a uma parte de mim. Dizes que vais agora porque a nossa diferença te é dolorosa, porque sempre que caminhamos e nadamos juntos não consegues esquecer que tu és preto e eu sou branca. Dizes que de ti as crianças fogem, que a ti dão menos pão, que nunca te sorriem e que às vezes até te atiram pedras. Eu nunca reparei em nada disto, ofuscada da ternura que era te ter ao meu lado. Deixo que vás mas quero dizer-te: o negro é a cor mais bela do mundo, especialmente quando o nosso bico é cor de laranja. Vou repetir isto todos os dias até que, mesmo sem ouvir, acredites.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Desafio...

IV
CristinaGS
(A poeira dos dias)
Espelhos

A observação mútua, intensa e prolongada era quanto lhes bastava.

O outro e eu.

Um outro eu.

O outro.

Eu.

domingo, 13 de janeiro de 2008

Desafio...

Teresa Marques
(Tempo de teia)

Se eu pudesse...

Se tu pudesses?

Voltar a esse teu branco, a essa simplicidade,
a essa pureza dos começos.

Não estás a ver(-te) bem.

Não estou?

Continuas a ser como sempre foste.

Continuo?

Isso é só o pó acumulado da vida.

É?

Sou eu quem quer chegar aí onde estás.
Um dia,
um dia chegarei...
(Não tenho pressa.)

sábado, 12 de janeiro de 2008

Desafio...

II
(Girafa cor de rosa)


Ele olhou para ela e ela para ele. Parecia que já se conheciam e que a vida toda estiveram à espera daquele encontro.

Ela de penas aveludadas brancas e o seu sensual bico laranja e ele de um castanho profundo, olhos ternos.

A sociedade impunha distância, mas não conseguiam, era mais forte que eles! Convidou-a para um repasto à beira do lago, onde nadava todos os dias e sentia o fresco das águas a massajarem-lhe as penas, agora, quem sabe, iria ter uma companhia…se ela aceitasse e conseguissem transpor esses malditos preconceitos da sociedade!

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Desafio....

Lembram-se do desafio lançado a semana passada?
Recebi algumas histórias e todas bem bonitas....
Não consigo escolher!
Vou publicar todas as histórias, uma por dia, pela ordem que chegaram.
Podem ainda fazer chegar outras se só agora se sentirem inspirados/as.

Muito obrigado a todos/as os/as participantes.


I
Sandra Rocha
(Lente oculta)

- Olá como te chamas?
- Sou o Negro e tu como te chamas?
- Branco, o que te aconteceu para estares tão triste?
- Abandonaram-me só porque as minhas penas são negras.
- Como é possível ainda haver racismo, não fazes o mesmo que todos nós, não tens dois olhos, um bico, penas, duas patas e carne como todos nós?
- Sim... mas...
- Deixa lá, é sinal que o teu dono não gostava de ti e ao vires até aqui é um sinal.
- Um sinal?
- Sim, que todos nós temos uma segunda oportunidade e a felicidade está em qualquer ponto do mundo, o teu destino era eu. Aqui somos todos da mesma raça não há diferenças, bem vindo ao novo mundo.
- Obrigado, pensei que todos me virassem as costas.
- Não, nunca faríamos isso porque temos um coração.


E assim foi uma história de racismo mas com um final feliz.

DIGAM NÃO AO RACISMO.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Desafio....

Por culpa minha, que nunca fui bom a fazer regulamentos -- e não significa isso que não regule bem!--, já temos uma pessoa desclassificada no desafio da imagem!
Esqueci de dizer que, devido ao avultado prémio em jogo, não poderiam concorrer familiares :-).

Não disse também que os textos deveriam ser originais....

Mas, ainda bem que não disse nem uma coisa nem outra! A minha irmã Clorinda associou a imagem a um poema de Pablo Neruda e gostei tanto que nem resisto a publicar já hoje!

Obrigado e um beijo muito grande!


Dois...
Apenas dois.
Dois seres...
Dois objectos patéticos.
Cursos paralelos
frente a frente...
...Sempre...
...A se olharem...
Pensar talvez:
"Paralelos que se encontram no infinito..."
No entanto sós por enquanto
Eternamente dois apenas.

Pablo Neruda.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Desafio...

O desafio é o seguinte:
envie para o meu mail (jvtorres@gmail.com) uma história relacionada com a imagem até à próxima sexta-feira (dia 11 de Janeiro).
Nesse dia, republico a foto com a(s) histórias mais original(ais)*.


Este é o blogue que ninguém lê mas onde todos podem escrever!

*
com o nome do autor e ligação ao seu blogue, se for caso disso.