segunda-feira, 11 de dezembro de 2006

Pinochet morreu!

Mais um ditador que morreu. Mas este (como alguns outros) não chegou a expiar as mortes que provocou, não chegou a ser julgado. Baltazar Garzón, crente na justiça dos homens ainda tentou. Sem êxito. Rebusquei algumas palavras que nos fizessem recordar a crueldade, o autoritarismo, a violência sobre quem pensa diferente e encontrei estas de Sílvio Rodriguez

América, te hablo de Ernesto
Con una mano larga
para tocar las estrellas
y una presión de dios en la huella,
pasó por tu cintura,
por tu revés y derecho
el curador de hombres estrechos.
Preparando el milagro
de caminar sobre el agua
y el resto de los sueños
de las dolencias del alma,
vino a rajar la noche
un emisario del alba.
Y con voz tan perfecta
que no necesita oído
hizo un cantar que suena a estampido.
En todos los idiomas el emisario
va a verte:en todos los idiomas
hay muerte.
Aunque lo entierren hondo,
aunque le cambien la cara,
aunque hablen de esperanza
y brille la mascarada,
llegará su fantasma
bien retratado en las balas.
Sílvio Rodriguez

Viver entre eles...

A vida é difícil entre eles...são eminentemente, apaixonadamente, terrivelmente...servos da Língua Francesa. Servidão é talvez exagero, mas...pois, são os argumentos da complexidade. Hoje vou deixar-vos a simplicidade versão ccf, versão Walt Whitman, versão chapéu preto (ele usava sempre chapéu e ficava belo, muito belo...em novo mas sobretudo em velho).

A Clear Midnigt

This is thy hour o soul, thy free flight into wordless
Away from books, away from art, the day erased, the lesson
done
Thee fully forth emerging, silent, gazing, pondering the
themes thou lovest best
Night, sleep, death and the stars.
Walt Whitman

Dizem que como todos os poetas amou a liberdade mais que tudo e morreu pobre. Não sei se há universais mas se os há talvez este binómio seja um deles.
CCF

domingo, 10 de dezembro de 2006

Crescer, problemas, avaliação, lágrimas, crescer...

3za, desculpa pegar assim directamente no título do teu post, mas.... acabo de o ler e não resisti (a verdade é que me apetecia pegar no texto todo)!
Desde o momento que soube o que era um blogue, e que resolvi criar um -mesmo que ninguém o lesse- que soube que iriam ser um recurso precioso para a educação.
Este teu texto, esta tua partilha, mas também todos os blogues que tens feito com as tuas turmas, apenas confirmam o que era fácil adivinhar!
Os blogues podem estar ao serviço da educação de imensas maneiras... Esta tua partilha do que para ti é ensinar matemática merece estar disponível para todo o mundo, ainda bem que os blogues permitiram que o lesse poucos minutos depois de o escreveres....
Se por acaso passou por aqui....não vale a pena continuar a ler.... vá já ver a versão original lá no tempo de teia, e diga-me se tinha ou não razão?

Obrigado Teresa!

sábado, 9 de dezembro de 2006

Edublogs Awards

O blogue Have Fun with English! 2 da colega Teresa D' Eça , professora de Inglês na Escola de Sto. António - Parede e autora do livro "O e-mail na sala de aula", foi nomeado, na categoria Best Teacher Blog 2006, pela equipa do Edublogs Awards .

Trata-se de um concurso que se ganha por votação on-line. Quantos mais votos, maior a possibilidade de ganhar.

Podem ver aqui: http://incsub.org/awards/2006/nominations-for-best-teacher-blog-2006/ , os blogues nomeados nesta categoria e aqui: http://www.surveymonkey.com/s.asp?u=162453000229 votar, até 16 de Dezembro, num deles.

Eu votei no da Teresa :-), não só por ser o único português nessa categoria, mas sobretudo por reconhecer o trabalho que esta professora tem feito, com as tecnologias no ensino, ao longo dos últimos anos.

Parabéns Teresa pela nomeação!

sexta-feira, 8 de dezembro de 2006

Visitas à capital....

Ontem acabaram as minhas idas à capital às quintas-feiras ao fim-da-tarde. Eu que deveria ir lá para ensinar acabei por -como de costume- aprender imenso. Conheci cerca de 20 pessoas cheias de entusiasmo, de ideias e muita, muita vontade de aprender! Agora que tudo acabou, pelo menos oficialmente, não posso deixar de sentir uma certa nostalgia por se terem acabado estas 5ªs cheias de chuva e de vento.

Muito obrigado a todo(a)s, sobretudo pelas palavras generosas que me foram dizendo. Até sempre porque, tenho a certeza, nos cruzaremos mais vezes!

quinta-feira, 7 de dezembro de 2006

Atrás da porta...

Queria abrir uma porta e tu entravas mas não vias tudo o que estava atrás dela. É que atrás da porta estão os meus defeitos todos reunidos num único que é enorme e me incomoda sem me incomodar realmente. Não tenho ordem, nem arrumação, nem tino no mundo, nem razão. Como um papagaio de papel era capaz de me deixar ir seguindo os rumos do vento, não tenho nada de meu. Minto, tenho a rapariga da mochila. Ela prende-me à terra, é por ela que o frigorifico anda mais ou menos cheio, ponho as máquinas a funcionar, deito fora o pó. E também gosto de fazer coisas, deixar marcas nos caminhos, andar em direcção aos sonhos mesmo quando eles vão a fugir de mim. Agarro alguns e enchem-me essa coisa dita alma.
Podias ter vindo sem espreitar atrás da porta. Agora não sei. Não sei que poderá ser de ti depois de veres o que não é lindo, nem mágico, nem poesia. A paixão é uma ilusão que não se mantém quandos se espreita atrás das portas. A paixão é contemplar à janela.
Pois é, meus amigos, voltei das redes mas nunca mais vou sair delas.
CC

quarta-feira, 6 de dezembro de 2006

Liberté

Decididamente, os nossos caminhos entrecuzam-se e vamos encontrando trilhos com ressonâncias semelhantes. Pontos de encontro, que foram de paragem e reflexão algures no tempo e que agora nos aproximam devolvendo-nos imagens e sentimentos que pensávamos esquecidos. Por falar em guerras lembrei-me desta liberdade de Paul Éluard.
Liberté
Sur mes cahiers d'écolier
Sur mon pupitre et les arbres
Sur le sable sur la neige
J'écris ton nom
Sur toutes les pages lues
Sur toutes les pages blanches
Pierre sang papier ou cendre
J'écris ton nom
Sur les images dorées
Sur les armes des guerriers
Sur la couronne des rois
J'écris ton nom
Sur la jungle et le désert
Sur les nids sur les genêts
Sur l'écho de mon enfance
J'écris ton nom
Sur les merveilles des nuits
Sur le pain blanc des journées
Sur les saisons fiancées
J'écris ton nom
Sur tous mes chiffons d'azur
Sur l'étang soleil moisi
Sur le lac lune vivante
J'écris ton nom
Sur les champs sur l'horizon
Sur les ailes des oiseaux
Et sur le moulin des ombres
J'écris ton nom
Sur chaque bouffée d'aurore
Sur la mer sur les bateaux
Sur la montagne démente
J'écris ton nom
Sur la mousse des nuages
Sur les sueurs de l'orage
Sur la pluie épaisse et fade
J'écris ton nom
Sur la vitre des surprises
Sur les lèvres attentives
Bien au-dessus du silence
J'écris ton nom
Sur mes refuges détruits
Sur mes phares écroulés
Sur les murs de mon ennui
J'écris ton nom
Sur l'absence sans désirs
Sur la solitude nue
Sur les marches de la mort
J'écris ton nom
Sur la santé revenue
Sur le risque disparu
Sur l'espoir sans souvenir
J'écris ton nom
Et par le pouvoir d'un mot
Je recommence ma vie
Je suis né pour te connaître
Pour te nommer Liberté.
Paul Éluard - 1942 -

Boris Vian

Por falar em redes....

Há poucos dias descobri o blogue Claras em Castelo, da Marta, onde o nosso blogue "que ninguém lê" aparece na categoria de "quase diários". Obrigado Marta.
É bom saber que, mesmo não nos lendo, alguém aponta para cá. Também já colocamos uma ligação para as "Claras em Castelo" para ser mais fácil passar por lá, de vez em quando... (quase todos os dias...) !

Hoje, no Claras em Castelo, encontrei um post sobre um livro que não me importaria de receber pelo Natal...(Marta, posso mandar a morada por mail se fizer questão de o oferecer a alguém que goste, caso contrário... terei mesmo que o procurar eu!)

Não conheço muito da obra de Boris Vian, mas é dele um dos poemas mais bonitos que conheço - os amigos sabem que não conheço assim tantos! - e que Réggiani interpreta tão bem!
Aqui o deixo, em especial para a Marta que já o deve conhecer...


Le déserteur

Monsieur le Président
Je vous fais une lettre
Que vous lirez peut-être
Si vous avez le temps
Je viens de recevoir
Mes papiers militaires
Pour partir à la guerre
Avant mercredi soir
Monsieur le Président
Je ne veux pas la faire
Je ne suis pas sur terre
Pour tuer des pauvres gens
C'est pas pour vous fâcher
Il faut que je vous dise
Ma décision est prise
Je m'en vais déserter

Depuis que je suis né
J'ai vu mourir mon père
J'ai vu partir mes frères
Et pleurer mes enfants
Ma mère a tant souffert
Elle est dedans sa tombe
Et se moque des bombes
Et se moque des vers
Quand j'étais prisonnier
On m'a volé ma femme
On m'a volé mon âme
Et tout mon cher passé

Demain de bon matin
Je fermerai ma porte
Au nez des années mortes
J'irai sur les chemins

Je mendierai ma vie
Sur les routes de France
De Bretagne en Provence
Et je dirai aux gens:
Refusez d'obéir
Refusez de la faire
N'allez pas à la guerre
Refusez de partir
S'il faut donner son sang
Allez donner le vôtre
Vous êtes bon apôtre
Monsieur le Président
Si vous me poursuivez
Prévenez vos gendarmes
Que je n'aurai pas d'armes
Et qu'ils pourront tirer<

Boris Vian, 1954

terça-feira, 5 de dezembro de 2006


Dia de prova, prova dos nove, prova que espero ter sabor.
Acho que entrei na escola para nunca mais sair de lá e embora tenha às vezes vontade de nunca mais lá voltar, continuo sempre. Na escola ainda se aprende?! Dia de escola, dia de rede, redes, pessoas em rede.
Vim ter aqui não sei como. Espero um dia sair daqui, também ainda não sei como.
Alguém me diz que eu ainda não sei bem de que ando à procura. Talvez...mas isso já não me preocupa, a busca tornou-se mais importante que o ponto de chegada.
Esta manhã bebi chá de rosas dentro de um beijo. Bom começo para uma prova.
Até já
CC

domingo, 3 de dezembro de 2006

Roendo uma laranja na falésia....

Aproveitei o fim-de-semana prolongado para ir ver a minha falésia favorita.... Mesmo sem a laranja, as caminhadas pela falésia continuam a fazer-me muito bem...