sábado, 6 de outubro de 2007

Castelo de Palmela

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Mudam-se os tempos...

5 de Outubro de 1910. Daqui por três anos festejaremos (alguns) os cem anos da vitória da República em Portugal. Cheguei agora aqui à virtualidade quotidiana para postar "um Youtube" de um outro filme que tanto gosto que me acompanhe e dei comigo a fazer comparações. Talvez porque a célebre frase do Príncipe de Salina - "É preciso que algo mude, para que tudo fique na mesma" - me tenha surgido ao fim da tarde quando pensei que dia era hoje e que significado ainda conseguiríamos atribuir-lhe.

Vamos reflectindo, e entretanto dancemos a Valsa...



quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Senso*, Bruckner e Alida Vali



Bruckner Symphoney 7 - pt.3


Alida Vali é o rosto desta música. Estou certa de que sem ela estes sons não soariam da mesma forma.

*de Luchino Visconti

PS: JVT, foi só porque pediste muito :)

Américo!

aqui falei da minha passagem pelos Bombeiros. Durante um ano estive ligado à Associação Humanitária dos Bombeiros cá da terra. Foi um ano terrível de trabalho, cheio de desafios profissionais mais uma reunião semanal na Associação que se estendia invariavelmente até às duas da manhã.

Mas foi essa experiência que me levou a conhecer algumas pessoas excepcionais. No dia em que a minha mulher teve um acidente de viação fiquei aliviado quando, pelo telefone, soube que chegariam ao local em poucos minutos. Tinha a certeza que, mesmo estando ainda bastante distante, a partir desse momento, a acidentada não poderia estar em melhores mãos.

Foi também nesse ano, e nesse âmbito, que me envolvi num dos projectos mais aliciantes da minha carreira de professor: a reformulação da página da associação.

O Américo foi sem dúvida uma das pessoas pelas quais valeu a pena a experiência e todas as horas passadas no quartel. Tendo algumas limitações físicas, que lhe dificultam bastante os movimentos e a comunicação oral, tem no entanto qualidades -como a competência técnica, a organização, o espírito de iniciativa, a frontalidade e mesmo o sentido de humor- que fariam dele o funcionário que não hesitaria em contratar para exercer funções na área da informática de qualquer empresa onde tivesse poder de decisão. Além da página da Associação, que lançou por iniciativa própria e lhe valeu um voto de felicitação e reconhecimento aprovado por aclamação, numa Assembleia Geral em 1999, o Américo tinha também desenvolvido um conjunto de aplicações que permitiam já na altura a informatização de grande parte do quartel e que foram mesmo adoptadas por outras corporações. O único defeito, digno de registo, que lhe encontrei foi ser Sportinguista, mas ninguém pode ser perfeito!

Estando ligado ao ensino das tecnologias pensei que uma área em que poderia colaborar seria na reformulação do site, aproveitando as capacidades do Américo. Com a sua colaboração poderíamos passar de uma página estática em HTML para um portal dinâmico com um backoffice que permitisse uma rápida e eficaz gestão de conteúdos. Tal projecto só faria sentido, como disse, em colaboração e com a forte participação do Américo. Por sorte minha entusiasmou-se desde o início com a ideia. A página seria programada em ASP (desculpem a linguagem um pouco técnica) e toda a informação guardada em bases de dados. Seriam desenvolvidas duas zonas: uma visível e outra, protegida por palavra-passe, a que só teriam acesso os colaboradores para editar os conteúdos. Se tudo corresse bem, no fim do projecto, além da página o Américo estaria apto a começar a desenhar outras aplicações, utilizando a mesma tecnologia, para gerir a vida do quartel e substituir as aplicações que tinha programado em Clipper há mais de uma década.

Em poucas semanas, o excelente aluno, dominava a nova linguagem de programação bastante bem! Encontrava soluções engenhosas para os problemas que se nos iam deparando e o projecto seguia a um ritmo que, inicialmente, nem imaginava possível.

Da direcção da Associação fazia ainda parte uma colega licenciada em Direito, mas com uma veia jornalística muito forte, que se juntou ao projecto assumindo o papel de editora e produtora de conteúdos. A sua participação foi fundamental, assim como a de uma vasta equipa de colaboradores, na sua maioria bombeiros ou pessoas muito ligadas à associação, que a editora conseguiu mobilizar e que contribuiram com textos, fotos e crónicas regulares. A parte técnica, que eu e o Américo podíamos resolver era apenas um dos factores a ter em conta para o sucesso do projecto. A vasta equipa de colaboradores e o papel da Editora foram fundamentais.

O resultado foi um site que, no panorama dos bombeiros nacionais, serviu de inspiração a outras corporações e uma revista da especialidade analisou e classificou muito bem, não apontando nenhum aspecto a melhorar.

Este resultado, na minha opinião, foi conseguido pelo trabalho em equipa e pelo empenho e profissionalismo do webmaster Américo!

Infelizmente não me é possível deixar aqui a ligação para o site porque a actual direcção, por motivos que desconheço, resolveu abandonar o projecto com o qual sempre me mantive disposto a colaborar. Ontem à noite, via MSN, o "Gatão Verde" (nick do Américo) dizia-me que o Benfica perdia 1-0 e, mesmo não sendo eu muito benfiquista, não pude deixar de me lembrar da falta que me faz passar pelo quartel e ter dois dedos de conversa com alguém de quem queria ser professor e que acabou por me ensinar tanta coisa!

Um abraço Américo e a promessa de uma visita para breve!

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Tecnologias no tribunal e na escola

Hoje estive num tribunal, no litoral alentejano, para assistir a uma audiência em que era parte interessada. O assunto pouco interessa, assim como também não interessa o motivo pelo qual a audiência acabou por não se realizar. Do que queria aqui falar era das testemunhas ouvidas por vídeo-conferência. Bem sei que não será novidade para muitos mas para mim, pouco habituado a pisar tribunais, foi uma surpresa saber que todas as testemunhas que residem longe do tribunal são convocadas para serem ouvidas por vídeo-conferência tendo apenas que se deslocar ao tribunal da sua área de residência. Não é a testemunha que pede, ou melhor... apenas terá que informar o tribunal no caso de preferir ser ouvida presencialmente. Mas, a primeira opção é a utilização da tecnologia.

Não pude deixar de pensar na utilização da tecnologia na educação. Pensei num artigo que li recentemente onde criticavam a introdução de tecnologias na escola e o fascínio que, alegadamente, alguns professores sentem pela sua utilização pensando, segundo o autor, que as tecnologias resolvem todos os problemas da educação. Felizmente não estou nesse grupo, mas também não estou no grupo daqueles que culpam as calculadoras pela falta de capacidades de cálculo mental dos alunos. As tecnologias não vão certamente resolver os problemas da educação, como também não vão resolver os problemas dos tribunais, mas acredito que vão continuar entrar nas escolas como entram nos tribunais, nos supermercados, nos hospitais e nas universidades.

Será necessário pensar, e temos ainda um longo caminho a percorrer, na melhor maneira de as utilizar, mas serão os professores que melhor as conheçam e dominem que estarão em posição para decidir quando dar uma aula com sólidos imaginários ou quadros interactivos...

Guarda-rios e estuários (XIV)



Na escola aprendi como eram os outros, os que não eram Almar. No desenho branco no quadro preto a professora escreveu país e ensinou-nos que a bandeira e o hino eram os símbolos de um amor que não conseguia sentir. Amar um país era estranho para mim, pois tudo o que amava vivia dentro das pessoas com o sangue cor de água. Amava o que tinha voz, corpo e cheiro. Depois com a adolescência e a lenta agonia do povo Almar, via nessa bandeira a possibilidade de ser finalmente igual a toda a gente, de diluir com outra tinta a tatuagem que ainda emergia da minha pele, tinha ódio dessa marca que me fazia sentir como uma peça de gado.

Cresci confusa como é próprio de quem tem raízes múltiplas e perguntei-me vezes sem conta que pátria era a minha. E quando já tinha perdido a esperança em qualquer bandeira e desaprendido todos os hinos, a resposta chegou. A nossa Pátria é o lugar onde nos abraçam.


Não, não é um abraço qualquer. É um abraço sem medo do corpo do outro, um peito enconstado ao nosso, uma face a raspar a outra, o respirar do outro no nosso respirar. E desenvolvi uma fórmula química simples: quanto mais abraços, mais pátria.

~CC~

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Terra Conterrânea III

Agora que recuperei pelo meu próprio olhar o lugar em que nasci, sinto que vivi uma só vez, que não sou simulacro, nem sombra.

É verdade que Cibele foi logo o nome pelo qual me chamaram, ainda que como sempre me tenha apresentado com os dois e o primeiro seja o que o ritual impõe. Mas só mais tarde, quase já na partida, chegou o abraço que esperei desde o início e a palavra doce: conterrânea!

~CC~

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Ces Gens La

Boa sorte/Good Luck

Música(s)

Luanda, Setembro de 2007



Não pode haver um dia da música embora seja este. Seja...pela música.



Olha para mim Jacinta, de olhar azul e convexo, recordando poesia de Zeca Afonso, último CD que chegou quando eu cheguei, veio pelas mãos do meu amor pequeno que está cada dia maior. Oiço-o muitas vezes, é sempre o que faço quando chega algo novo, não consigo ouvir da primeira, nem da segunda vez, acho que só à terceira o som se torna familiar e a escuta se torna plena.


Passaram dias mas quando adormeço ainda mergulho na rua da India, na minha infância sem música num país tão cheio dela, lembro sobretudo o silêncio, foi o silêncio que me formou. E talvez mesmo sonhando, achava que ouvia as plantas a crescer no meu quintal e os bichos a moverem-se por cima e por baixo da terra. Trouxe até à adolescência apenas música da natureza.


Depois os rapazes que eu amei foram sempre tocadores, arquitectos de sons nas noites de casa comum, perto das fogueiras da adolescência e depois adultos junto às lareiras no recato das salas ou com lampejos de luar Quase incapaz de se lhes comparar em ouvido e mestria, habituei-me a trautear baixinho, rendida ao seu saber, receosa de dizer alguma coisa fora de tom.


Só tarde conquistei autonomia de ouvido, me tornei capaz de comprar por mim mesma e de arriscar o desconhecido. E muito mais tarde ainda abandonei o meu corpo na dança com outro e senti que isso tornou a música ainda maior, para o fazer foi preciso esquecer-me que não era capaz. Por este andar, qualquer dia canto alto.


Quero eu dizer, podemos crescer em quase tudo, também no modo de amar a música.

~CC~