Não pode haver um dia da música embora seja este. Seja...pela música.
Olha para mim Jacinta, de olhar azul e convexo, recordando poesia de Zeca Afonso, último CD que chegou quando eu cheguei, veio pelas mãos do meu amor pequeno que está cada dia maior. Oiço-o muitas vezes, é sempre o que faço quando chega algo novo, não consigo ouvir da primeira, nem da segunda vez, acho que só à terceira o som se torna familiar e a escuta se torna plena.
Passaram dias mas quando adormeço ainda mergulho na rua da India, na minha infância sem música num país tão cheio dela, lembro sobretudo o silêncio, foi o silêncio que me formou. E talvez mesmo sonhando, achava que ouvia as plantas a crescer no meu quintal e os bichos a moverem-se por cima e por baixo da terra. Trouxe até à adolescência apenas música da natureza.
Depois os rapazes que eu amei foram sempre tocadores, arquitectos de sons nas noites de casa comum, perto das fogueiras da adolescência e depois adultos junto às lareiras no recato das salas ou com lampejos de luar Quase incapaz de se lhes comparar em ouvido e mestria, habituei-me a trautear baixinho, rendida ao seu saber, receosa de dizer alguma coisa fora de tom.
Só tarde conquistei autonomia de ouvido, me tornei capaz de comprar por mim mesma e de arriscar o desconhecido. E muito mais tarde ainda abandonei o meu corpo na dança com outro e senti que isso tornou a música ainda maior, para o fazer foi preciso esquecer-me que não era capaz. Por este andar, qualquer dia canto alto.
Quero eu dizer, podemos crescer em quase tudo, também no modo de amar a música.
~CC~
2 comentários:
Voltaste renovada, mesmo "combalida" e crescer é sempre um bom movimento..em direcção ao céu.
Também acho que podemos crescer sempre mais um pouco e já ouvi dizer que enquanto dançamos crescemos, só que estamos demasiado envolvidos na música que nem damos por isso.
A menina dança?
:)
*jj*
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