domingo, 12 de agosto de 2007
sábado, 11 de agosto de 2007
sexta-feira, 10 de agosto de 2007
quinta-feira, 9 de agosto de 2007
A minha terra...
Ir à terra significa, para todos os que não nasceram nas grandes cidades, voltar à aldeia onde nasceram ou viveram a infância. À medida que o tempo passa, e que as pessoas que nos esperavam na terra vão partindo, vamos invariavelmente regressando com menos frequência. No entanto, sentimos que seremos sempre de lá. Não sabemos bem porquê e, muitas vezes, nem percebemos o que realmente nos liga a esses lugares. Serão as recordações dos que partiram para sempre deixando aí muito do que a eles nos ligava ou serão simplesmente os lugares, as plantas o ar?
A minha terra é um pequeno lugar na serra de Bornes. Chama-se Covelas, terra fria e com grandes castanheiros. Pertence a uma freguesia chamada Sambade no concelho de Alfândega da Fé, em Trás-os-Montes.
Penso que sempre serei de Covelas, mesmo que tenha vivido lá apenas alguns anos. É para lá que vou dentro de dias, reencontrar tudo o que me liga aos que já partiram mas também rever alguns familiares que, este ano, não vi tanto como gostaria.
(*) Raul Coelho é a pessoa que conheço que melhor consegue captar as paisagens e as gentes de Trás-os-Montes com uma máquina fotográfica. Podem ver o seu trabalho em (http://olhares.aeiou.pt/utilizadores/detalhes.php?id=5674)
A minha terra é um pequeno lugar na serra de Bornes. Chama-se Covelas, terra fria e com grandes castanheiros. Pertence a uma freguesia chamada Sambade no concelho de Alfândega da Fé, em Trás-os-Montes.
Penso que sempre serei de Covelas, mesmo que tenha vivido lá apenas alguns anos. É para lá que vou dentro de dias, reencontrar tudo o que me liga aos que já partiram mas também rever alguns familiares que, este ano, não vi tanto como gostaria.
(*) Raul Coelho é a pessoa que conheço que melhor consegue captar as paisagens e as gentes de Trás-os-Montes com uma máquina fotográfica. Podem ver o seu trabalho em (http://olhares.aeiou.pt/utilizadores/detalhes.php?id=5674)
Publicada por
João Torres
às
20:19
10
comentários.
Etiquetas: Terra
Parque das estátuas...
Há recordações boas e recordações más, mas todos temos recordações...
Os húngaros tinham grandes estátuas, do tempo da ditadura comunista, que não queriam continuar a ver todos os dias espalhadas pela cidade.

Em vez de as derreter, levaram-nas para um parque a alguns quilómetros de Budapeste.
E nós, o que fazemos com as recordações dos bons e dos maus momentos?
Publicada por
João Torres
às
15:59
2
comentários.
Terra (II)
Esta é também a minha terra, achei-a asim tão bem descrita por este rapaz que se dedica ao mel e que não conheço. E senti-a assim batida pelo vento forte de cheiro a maresia, demorei muito a gostar dela. Amei-a nas palavras de um avô que recitava António Aleixo e coleccionava vasos de cravos e cravinhos cujas cores estudava e inventava pela intuição da química. Vivia a sonhar a revolução que já tinha afinal chegado. Mestre terra, de olhos salgados e poucas falas. O mais improvável que podia acontecer era o nosso encontro, o do mestre a despedir-se da vida activa e da criança triste, sem norte. Mas aconteceu, ensinou-me a gostar de laranjas e de xarém e fez-me sentir que eu era mais que um nada, se quisesse, podia ser quase uma flor. Era o que eu precisava para seguir o caminho.
Depois a vida levou-me para longe dele mas sei que andou de bicicleta até morrer e cuidou sempre dos seus cravos.
Nós somos muitas terras, muitas delas que nos são trazidas pela mão ou pela pele de alguém.
~CC~
Publicada por
CCF
às
00:02
2
comentários.
Etiquetas: Terra
quarta-feira, 8 de agosto de 2007
Mais cidade que sexo
Há textos que deixam qualquer gordo satisfeito... Parabéns Samantha, o texto está... delicioso!
Publicada por
João Torres
às
17:47
6
comentários.
Terra
É bom enviar postais em férias, mas...as férias, interrompi-as hoje com carácter de urgência. Pedir os vistos, escrever Luanda no lugar de nascimento. Desde que chegou a indicação do voo nunca mais dormi da mesma forma. Há um atropelo de emoções que toma conta de mim e tenho receio do que eu própria sinto. Mas o medo maior ainda é não ir, falta tão pouco tempo e há tantas coisas que não tenho. De par com esse medo, quase em competição, a certeza desse destino anunciado há muito, a paz de o saber.
Nos momentos de maior lucidez preocupo-me com a missão, o trabalho que lá irei desenvolver. Mas os momentos sem essa lucidez são atravessados pela memória dos elefantes. Eles passam dentro dos meus olhos devagar, como num caminho pela Savana, vão em busca da água.
Nos momentos de maior lucidez preocupo-me com a missão, o trabalho que lá irei desenvolver. Mas os momentos sem essa lucidez são atravessados pela memória dos elefantes. Eles passam dentro dos meus olhos devagar, como num caminho pela Savana, vão em busca da água.
~CC~
Publicada por
CCF
às
17:01
6
comentários.
Etiquetas: Terra
Ir e voltar...
Ontem foi dia de regresso de um fim-de-semana prolongado um pouco diferente.
Fomos descobrir cidades onde as bicicletas têm direito a semáforo próprio.
Foram dias cansativos, mas cheios de experiências e paisagens que ficarão certamente nas memórias dos mais novos da família por muito tempo e que talvez regressem quando, sozinhos ou com os amigos, voltarem de mochila às costas.
Publicada por
João Torres
às
11:44
4
comentários.
Etiquetas: Verão
terça-feira, 7 de agosto de 2007
Apanhada pela Sombra*
Há dias que ando assim. Não muitos, porque a urgência de a consumir é grande. De me apossar da Sombra. São coisas que nos acontecem, quando pensamos que possuímos qualquer coisa, damos connosco consumidos, apropriados pelas coisas que queremos.
Foi o que me aconteceu com este livro. Devia estar avisada se tivesse estado atenta aos caracteres miudinhos (como nos contratos comerciais, ou nos das companhias de seguros, ou nas inúmeras advertências que nos fazem em sussurro e às quais não ligamos muito) impressos na capa “Uma história inesquecível sobre os segredos do coração e o feitiço dos livros”. Ative-me só ao título, foi ele que me apanhou – acontece-me muito ficar presa a um bom título, mesmo que não conheça o autor – boa estratégia de marketing, sem dúvida.
Na verdade, não liguei muito aos segredos do coração e preferi deixar-me enfeitiçar outra vez, como de tantas outras vezes. Foi tiro certeiro, passou a povoar-me os sonhos e o sono, procuro a sua companhia em qualquer momento e ele lá está à minha espera, certo do sortilégio em que conseguiu enredar-me. Mas o autor também nos alerta para isso quando nos diz que os livros são espelhos para quem os lê…
Um dos meus personagens preferidos chama-se Fermín Romero de Torres e é da sua boca que saem estas frases:
“O destino costuma estar ao virar da esquina. Como se fosse um gatuno, uma rameira ou um vendedor de lotaria: as suas três encarnações mais batidas. Mas o que não faz é visitas ao domicílio. É preciso ir atrás dele.”p.241. Conhece bem a vida e as suas redes, feitas de nós e laços, o homem que escreveu estas palavras.
Foi o que me aconteceu com este livro. Devia estar avisada se tivesse estado atenta aos caracteres miudinhos (como nos contratos comerciais, ou nos das companhias de seguros, ou nas inúmeras advertências que nos fazem em sussurro e às quais não ligamos muito) impressos na capa “Uma história inesquecível sobre os segredos do coração e o feitiço dos livros”. Ative-me só ao título, foi ele que me apanhou – acontece-me muito ficar presa a um bom título, mesmo que não conheça o autor – boa estratégia de marketing, sem dúvida.
Na verdade, não liguei muito aos segredos do coração e preferi deixar-me enfeitiçar outra vez, como de tantas outras vezes. Foi tiro certeiro, passou a povoar-me os sonhos e o sono, procuro a sua companhia em qualquer momento e ele lá está à minha espera, certo do sortilégio em que conseguiu enredar-me. Mas o autor também nos alerta para isso quando nos diz que os livros são espelhos para quem os lê…
Um dos meus personagens preferidos chama-se Fermín Romero de Torres e é da sua boca que saem estas frases:
“O destino costuma estar ao virar da esquina. Como se fosse um gatuno, uma rameira ou um vendedor de lotaria: as suas três encarnações mais batidas. Mas o que não faz é visitas ao domicílio. É preciso ir atrás dele.”p.241. Conhece bem a vida e as suas redes, feitas de nós e laços, o homem que escreveu estas palavras.
*Falo-vos d’A Sombra do Vento, de Carlos Ruiz Zafón, D.Quixote, 2004.
Publicada por
Cristina Gomes da Silva
às
12:52
2
comentários.
Subscrever:
Mensagens (Atom)









