Abrir, fechar. Entrar, sair, transpor. Limite, fronteira, soleira. Segredos guardados atrás das portas. Portas fechadas e portas abertas. À porta fechada, para ninguém saber. Porta com porta, quando vivemos lado a lado. “Tenho por costume nunca fechar portas…” diz a Calcanhoto e a Bethânia gritava com o desespero de quem ama com dor “…nosso caso é uma porta entreaberta”. Tanto podia escancarar-se como fechar-se definitivamente. E os Doors, de cujos acordes e palavras tantos caminhos partiram. Há-as lindas e quem as fez dedicou-lhes muitas horas, muito tempo. Há algumas que saem dos gonzos e outras rangem fantasmagóricas. Andámos a olhar as fechadas, as que escondem segredos e outros mundos que não se vêem do lado de fora porque acontecem lá dentro. Imaginamos e deixamo-las entreabertas, porque as coisas mais definitivas podemos sempre lamentá-las porque fechámos portas demasiado cedo.
Foto de BSP
domingo, 11 de março de 2007
Portas…
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Cristina Gomes da Silva
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20:55
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Alqueva II

O Congresso
Comecei cedo a frequentá-los e cedo me cansei deles. No mercado do conhecimento tudo se vendia da mesma forma que em qualquer lado, cansavam-me os pedantes, os dancantes, os cantantes. Não fora me ter reconciliado o ano passado com a academia aceitando que a recusa em nada a transformava e esta reconciliação teria acontecido no fim de semana passado com o I Congresso das Açordas. Não estou a brincar, eu fui ao I Congresso das Açordas! As comunicações tinham títulos tais como "As açordas com que cresci" ou "Acorda nossa de cada dia" e a exposições eram autênticos reportórios de cheiros e sabores. Era tudo normal, igual ao que se passa em qualquer congresso com moderações, comunicações e comentários. Era tudo estranho porque estavámos ali no mais profundo Alentejo e o tema era a Açorda, coisa sobre a qual não imaginava se poder falar nem saber tanto e muito menos encher programas de dois dias. Hesitei por momentos. Por um lado rejeitava a importação do modelo, sentindo que nem ali já se podia viver livre de congressos(confesso, uma espécie de saudosismo por um mundo rural puro, perto da terra), por outro suscitava em mim verdadeiro divertimento aquela adaptação do modelo, achando que sim, que de transformação das coisas e da mistura delas é que nasce o que é mais engraçado na vida(e essa coisa do mundo rural já nem existe a não ser na nossa fantasia).
Certo é que a Vila de Portel respirava vida e as pessoas pareciam felizes com o seu congresso. Pois que SIM.
~CC~
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CCF
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17:03
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sábado, 10 de março de 2007
Alqueva

Em poucas horas ela perdeu-se e passou a ser para lugar nenhum.
Tudo é tão frágil.
E no entanto, alguém que a olhou, disse-me para ver novamente.
E eu olhei.
Sim, talvez tenha razão.
A estrada continua mais à frente, emerge da água. É assim se quisermos ver assim. Muitas vezes acho que vou mergulhar como a estrada, sem hipótese de renovação.
Outras vezes, acho que será mesmo apenas um mergulho, uma passagem para um outro lugar, talvez mesmo uma casa.
~CC~
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CCF
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20:05
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quinta-feira, 8 de março de 2007
Nada de rosas...
Nada de rosas. Só lírios roxos e do campo. Nada de lamúrias nem de gritos, só vozes seguras e consistentes. Vozes amargas, vozes calmas, vozes zangadas, vozes doces, a nossa voz. Uma só bandeira cor de terra para uma luta que ainda faz sentido. Gosto de datas para comemorar, gosto de símbolos e de rituais, mas são hoje excessivos, um bocadinho pirosos(guarda lá a rosa...)e pouco eficazes. Não irei fazer nada nem irei a nada, fico-me pela festa íntima que é a minha liberdade. E festejei há quase 11 anos atrás, colocando o meu apelido como o último apelido da minha filha. Fui eu que a guardei 9 meses cá dentro, que a tive, que a amamentei mais 9 meses...o pai, apesar de exemplar, porque deveria ter esse direito de fazer passar o nome da família em vez de ser eu?
Gosto de mulheres, gosto de homens, gosto de pessoas.
Gosto de ser mulher, gosto imensamente de ser mulher.
~CC~
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CCF
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11:24
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Ideias cruzadas
Por ser hoje. Um dia que muitos comemoram. Aqui vos deixo com as palavras de um homem, que tão bem soube captar sob a forma de ficção, este destino que nos persegue e que tem de ser torcido. "Chamava-se Dulce Olívia. Era filha única de uma família de correeiros de reis e tinha tido que aprender a arte de fazer selas de montar para que não se extinguisse com ela uma tradição de quase dois séculos. A essa estranha intromissão num ofício de homens atribui-se a razão de ter perdido o juízo e de forma tão grave que foi difícil ensiná-la a não comer as suas próprias misérias." (Gabriel García Marquez, Do Amor e Outros Demónios). Bom dia para todas(os).
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Cristina Gomes da Silva
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10:54
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Estou quase a acabar o "Perfume"
O livro, entenda-se!
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João Torres
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08:35
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Grande dia...
Sábado, dia 3, conheci finalmente a 3za do Tempo de Teia. No âmbito do encontro " Weblogs na educação: 3 experiências, 3 testemunhos", que também aqui anunciamos, presenteou-nos com uma magnifica apresentação que até já fez eco além fronteira. Estiveram presentes mais duas Teresas contando também, na primeira pessoa, experiências riquíssimas da utilização desta ferramenta no ensino. A "menina da bandeira" (não foi a do gáz) fez um comentário e lançou questões muito pertinentes que nos ajudaram a pensar onde ficam os limites da nossa exposição no espaço virtual. Também o José Oliveira esteve por lá, na companhia de 120 professores, de vários ciclos de ensino e zonas do país, que abdicaram de uma manhã de sábado, na cama, para vir debater este tema connosco.
Muito obrigado a todo(a)s, muito em especial ao fantástico trio de Teresas.
Apresentação utilizada pela Teresa Marques. Se ficaram com água na boca sigam o fio até aqui...
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João Torres
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08:24
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sábado, 3 de março de 2007
Desencanto compreensível
Foi publicado o conjunto de critérios que permitem aos professores dos ensinos básico e secundário aceder à categoria de Professor Titular. Designação pomposa sem dúvida, mas vazia de sentido. Remeto-vos para aqui, onde podem encontrar uma análise curiosa (irónica e doída) da situação. E depois a Sra. Ministra que não se admire com as eventuais "más vontades" dos professores. Já era tempo de passar à prática a tão propalada equidade, o degrau a seguir à igualdade. Assim será difícil...
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Cristina Gomes da Silva
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16:10
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