sábado, 5 de julho de 2008

Sapatos que secam ao sol

PS. O chapéu é meu... os sapatos não!

Correntes


São feitas de medo e de cobardia, de incerteza e de cepticismo as correntes que nos prendem a um chão hostil onde os sonhos, os gestos, os pensamentos e as palavras se exibem plenos de musgo e de ferrugem. Na ânsia de nos soltarmos, roçamos o chão, rasgamos a pele, rompemos a alma, resvalamos, presos à noite, por muros de silêncio. Algumas vezes, conseguimos que os dedos dos pés toquem a areia, sintam a espuma do mar. Outras, mais do que espuma e areia, há uma leve brisa que nos despenteia, um cheiro a maresia que nos enebria. De súbito, um doce enlevo de alma transforma as amarras em correntes de esperança e de partilha.

Deep

Nota: Muito obrigado por mais este texto. A sardinhada está a ser marcada para dia 10 ao almoço. Podes aparecer?


Chapéus há muitos....

mas... eu gosto deste!

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Sul...

O sol e o Sul voltam a chamar por mim...
(A serra e o Norte também, mas teimo em fazer de conta que não os oiço...)

Descansem,
bom fim-de-semana!

Correntes de tempo.



É quando me olho ao espelho que vejo o tempo reflectido. O tempo passado. O tempo que por mim passou. Sou aquilo que fui fazendo do meu tempo. Quase uma obsessão. O tempo.
O tempo que se apodera das nossas vidas e nos traz encantos e desencantos é o mesmo que nos faz encanecer as frontes e riscar finos traços na pele salgada de lágrimas e corada de alegrias e comoções.

Rugas de uma vida de fissuras e risos. Sulcos finos como carreiros abertos pelas minúsculas partículas de sal.

Respiro nostálgica o odor do encanto pelos outros e deixo por explicar o desencanto. São como velas de chama vigorosa e bruxuleante no início, mas que fenece lentamente lá mais para o fim. Pergunto-me como se pode fazer para manter essa chama, como protegê-la dos sopros mais fortes e dos salpicos das lágrimas choradas pelo feitiço quebrado. O tempo dirá de quantas correntes me fiz e de quantas me desatei. O tempo o dirá. Escutá-lo-ei.

Cristina GS


Nota: Obrigado "parceira", é bom ter palavras tuas por aqui outras vez! Vamos combinar a data da sardinhada.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Pontes

Sobre correntes, elos e ligações



Solta amarras,
Solta as correntes, vai ao sabor do vento e das marés…

E se elas existirem, as correntes, que sejam elos e não amarras.
Fortes, mas abertos, espontâneos e livres…
…assim como o mercúrio na palma da mão, fechada ela não o agarra, aberta ele fica.

E que não se enferrujem, nem com água, nem com o sal e o doce da vida,
Que sejam laços, francas uniões…
…assim como as amizades sem tempo, nem espaço, nem lugar algum, apenas (e tanto) só sentimento.

E se por um acaso, ela surgir, a ferrugem, que seja uma marca que o tempo deixou…apenas a marca da vida. E não do aperto e da angústia, como se algo nos quisesse sufocar e ancorar.

E se for uma âncora, a corrente, que nos leve a um porto bom, caloroso e seguro, onde ficamos apenas porque queremos ficar… e permanecer.


Nota: Muito obrigado por mais este lindo texto... Vamos seguir a proposta da ~CC~ e fazer uma sardinhada à beira Sado? Atenção que o prémio, a partir de agora, será apenas a companhia... Mas nisso tenho a certeza que seremos todos premiados! Venham mais textos e amigos para a sardinhada pois... não há prazos nem limites para receber as palavras dos amigos!

quarta-feira, 2 de julho de 2008

A crise quando chega é para todos!



Pois é, às vezes não vemos os problemas na sua plenitude... Os Cavalheiros, mais uma vez, estão atentos a todos os lados da crise!

A verdade é que sem as "boazooonas" dos descapotáveis a circular por aí as estradas nunca mais serão as mesmas!

terça-feira, 1 de julho de 2008

O feitiço e o feiticeiro...

Pois é, desta vez a Cristina virou o feitiço contra o feiticeiro e, em vez de mandar um texto para a minha foto, resolveu pedir uma foto para um dos sempre belos poemas do José Marto.
Espero, enquanto humilde fotógrafo de fim-de-semana, ter estado à altura do desafio!

Um abraço à Cristina e ao José Marto.

Correntes...

Eu tinha uma corrente chamada medo que me aprisionava a mim mesma.

O medo é a matéria de que se fazem as viagens interiores aos nossos pesadelos.

Por isso essa corrente aprisionava-me ao medo de ficar para sempre presa num espaço do qual não pudesse sair. Era o medo de estar no elevador, na ilha, no avião, no meio de uma ponte ou até dentro de um carro desconhecido. Todos os espaços quando se fechavam eram o palco do meu medo: a persiana descida na janela, a porta a encerrar uma divisão da casa, o corredor do qual não se vê o fundo, um barco no meio do mar. Medo de todos os lugares dos quais não poderia sair por mim mesma.

Por isso essa corrente aprisionava-me ao medo dos braços dos outros por eles se poderem fechar sobre mim num abraço sufocante, ao medo de um corpo que se pudesse deitar sobre o meu, às pessoas altas e grandes que pareciam poder fazer-me desaparecer só com a sua sombra. Até um beijo podia fazer-me medo.
Medo de todas as pessoas capazes de me reter pela força, de me forçar a alguma coisa.

Foi pela consciência das correntes que me ligavam ao medo e do modo como as tinha construído que comecei a construir a minha liberdade. Nunca poderei dizer que as correntes são feitas de vento, mas poderei dizer que o seu ferro é leve, tão leve que se me esforçar o posso arrastar.

~CC~

Nota: É sempre um prazer abrir o blogue que ninguém lê à participação de todos os que por aqui vão passando. Desta vez devem andar todos muito atarefados pois, ao contrário de outras ocasiões, só a ~CC~ respondeu ao desafio. Mesmo assim valeu a pena. Quem não gostaria de publicar um texto da menina que escreve isto? Haver apenas uma respondente torna a classificação e atribuição de prémios muito fácil!
~CC~ escolhe o dia e o restaurante este texto vale bem um jantar...