segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Postal de aniversário

Nascemos com laços.
Mas há laços que vamos perdendo e outros que amamos mais à medida que crescemos por dentro deles. Deixa que em cada dia dos teus anos te renove cada vez mais amada dentro dos meus abraços.
~CC~

domingo, 5 de agosto de 2007

Em boas companhias

…andámos nós, esta tarde, nos espaços exteriores do Centro Cultural de Belém. Uma grande Kumpania que fazia uma grande Algazarra. Puro divertimento o trabalho deles. Digo eu, que sou só consumidora. Mas fiquei com a impressão de que aqueles amigos gostam mesmo do que fazem. Por instantes julguei-me num ambiente “Kusturiquiano”, embora, a euforia dos músicos contrastasse com alguma modorra do público, difícil de aquecer neste fim de tarde de Agosto, demasiado fresco para a época.

Amanhã é dia de piscina. Aquela bela piscina da Rua de S.Bento. Das enormes vidraças o olhar consegue chegar ao céu e quando saímos há um odor doce que se desprende das tílias do jardim que a envolve.

Formiguinha

Tomar-me desta cor para poder passar o Inverno.
~CC~

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Portugal

Leio no Público de hoje uma reportagem sobre Torre Bela. Pergunto-me que país é este, capaz destas intestinas revoltas sem alicerces (talvez seja esse o problema; são revoltas, reformas, mas nunca revoluções) e que depois se refugia em condomínios fechados, fechando os olhos ao futuro que ficou/está por fazer. Deixo que a memória me leve até às falas do Príncipe de Salina...

País "ciclotímico", certamente, que exagera no fado como no fandango. Capaz da maior generosidade como do maior fechamento. Clausura, até, do respirar.

Impressiona-me uma frase de Camilo Mortágua, embora a situação descrita não seja nova (Manuel da Fonseca descreveu-a bem), "Os trabalhadores rurais ainda iam à praça. Juntavam-se no largo de Manique e os agrários iam lá contratá-los. Primeiro os mais possantes". Como gado, como escravos fora(?) do tempo, digo eu.

Leio ainda um dos títulos de 1ª página do DN "Empregos que portugueses não querem, legalizam imigrantes", a acompanhá-lo a fotografia de um menino negro com um ar bem disposto e um olhar cheio de promessas. Porquê, os portugueses são todos brancos? Indesejáveis desatenções nos tempos que correm.

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

"Um comunista zen"

Se não fosse ela não o teria descoberto. Desatenções do passado que estalam como castanhas quentes nas voltas do presente. Mas tem valido a pena recuperar as desatenções e revelar-me o poeta. Um bom encontro. Há bocadinho, estávamos na cozinha a preparar o jantar e eis que chega um convidado pela mão, ou pela voz se preferirem, de Carlos Vaz Marques: Tonino Guerra. E que belo antipasti foi ouvir esta entrevista, feita em 2005 e agora reposta. Tendo em conta a hora, degustá-la talvez seja o termo mais apropriado.

Na minha memória “aprisionei” duas frases, só duas, mas é preciso ler os livros. Ora vejam lá se não são belas. A dada altura o jornalista pergunta-lhe o que é a poesia e ele responde mais ou menos isto “A poesia… é qualquer coisa trazida pelo vento” e, mais adiante a confissão “Eu amo as palavras, as palavras são um continente maior do que as imagens”.

E ele imagina tão bem.

Mathilde Santing

Gosto tanto desta voz! Quanta nostalgia ela transporta e se vai desprendendo a cada nota.

Dayton, Ohio -1903

Sing a song of long ago
when things were green
and movin’slow
and people’d stop tot say hello
or they’d say hi to you.
“Would you like to come over for tea
with the missus and me?”
It’s a real nice way
to spend a day
in Dayton, Ohio
on a lazy Sunday afternoon
in 1903.

Let’s sing a song of long ago
when things could grow
and days flowed quietly.
The air was clean
and you could see
and folks were nice to you.
“Would you like to come over for tea
with the missus and me?”
It’s a real nice way
to spend a day
in Dayton, Ohio
on a lazy Sunday afternoon
in 1903.
Mathilde Santing sings Randy Newman – Texas Girl & Pretty Boy, 1993

(Re)leituras de Verão

Há quem faça limpezas de Verão, eu gosto de fazer releituras.

Gosto muito de regressar aos livros de que gosto. Assim, como fazemos com os amigos que não vemos há muito tempo: pegamos no telefone e ligamos - "Então, há novidades?" - "Não, era só para saber de ti, se ainda estavas por aí"; - "Claro! Temos de nos encontrar um dia, mas fiquei contente por teres ligado"...e por aí adiante. Com os livros é parecido. Hoje apeteceu-me falar com (d)este:

"Brilha o céu, tarda a noite, o tempo é lerdo, a vida baça, o gesto flácido. Debaixo de sombras irisadas, leio e releio os meus livros, passeio, rememoro, devaneio, pasmo, bocejo, dormito, deixo-me envelhecer. Não consigo comprazer-me desta mediocridade dourada, pese o convite e o consolo do poeta que a acolheu. Também a mim como ao Orador amarga o ócio, quando o negócio foi proibido. Os dias arrastam-se, Marco Aurélio viveu, Cómodo impera, passei o que passei, peno longe, como ser feliz
?"

in, Mário de Carvalho, Um Deus Passeando Pela Brisa da Tarde, Ed. Caminho, 1994

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Noites

Lua cheia, música muito bela, companhia. Verão 2007

Férias...*

Férias, definições mais ou menos consensuais:

1) dias de suspensão dos trabalhos oficiais;
2) folga;
3) descanso, repouso.

Primeiro dia, então, de "suspensão dos trabalhos oficiais".

Restam os oficiosos:
1) polir umas mesas antigas com uma moderna lixadora eléctrica;
2) retocar pinturas suspensas desde as últimas férias;
3) visitar exposições que ainda estejam à nossa espera
4) deambular pelos jardins da cidade
5) (re)buscar um tempo para amar
6) voltar a procurar o teu olhar e tentar descobrir brilhos antigos

Não me parece, pois, que seja lá um grande descanso, embora também não me canse. Talvez porque "quem corre por gosto não cansa".

*Em fundo, na telefonia sem fios, uma versão inglesa de Solo le pido a dios, que ouvi vezes sem conta na voz de Mercedes Sosa

Boas férias...