Sempre me impressionou a história de Luís Miguel Nava e, com as devidas distâncias, estabeleci paralelos com a de Pier Paolo Pasolini. Relendo-o hoje, apeteceu-me partilhá-lo aqui, a estas horas crepusculares.
Brevíssimo Crepúsculo
Escrevo, o que não deixa de, por meias
palavras, fazer ver as ondas ascendendo
do fundo dos baús.
A água a contas com as trevas.
Fascinam-me essas ondas, bem como uma pedra às mãos
de quem procura abrir nela um sorriso, o céu
que neste poema sei subentendido e apenas
aos olhos dum rapaz a paixão trouxe num brevíssimo
crepúsculo antes de ganhar velocidade e, nos meus ombros,
as mãos desse rapaz quase de rapariga prontas
a voar. Sinto a romper na boca os dentes como a ventania.
terça-feira, 8 de maio de 2007
"Brevíssimo Crepúsculo"
Luís Miguel Nava (1957-1995)
Publicada por Cristina Gomes da Silva às 20:44
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2 comentários:
Que bom foi ir ao crepúsculo contigo e com a florzinha! Quando é o próximo?
~CC~
Vamos escolhê-lo. A florinha murchou um bocadinho. Queria dormir contigo. Foi bom, sim:)
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