quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Uma flor


terça-feira, 14 de outubro de 2008

Não brinco mais...

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Porque há Crimes Perfeitos...

"Aquelas botas pretas... Lembrou-se da última vez que as tinha usado. Por uns segundos, enquanto ninguém via, não foi forte. E pequenos pedacinhos de saudade choveram-lhe junto aos olhos..."


Marla

Gostei dos pedacinhos de saudade que chovem junto aos olhos!

Encontrado aqui...

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Um barco com rodas

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Desafio 4

Aqui fica a foto do desafio4 "Uma foto à procura de um texto",
agora com um pouco menos de zoom.

Este velho cilindro, abandonado, está(va) parado perto do parque de campismo de Vila Flor, em Trás-os-Montes.

A foto foi tirada este verão.

A próximidade com que vemos as coisas pode fazer toda a diferença! Tenho a certeza que esta inspiraria histórias completamente diferentes.

Os textos que fizeram foram extraordinários e é uma pena estarem só aqui onde ninguém os lê... Peguem neles e levem-n0s também para os vossos blogues!

O prémio, desta vez, é o envio da foto com o texto escrito.

A entrega, essa, pode ser via CTT ou, presencialmente, à volta de uma mesa
com sardinhas ou qualquer outro prato de peixe ou carne!

Manifestem-se vencedores e vencedoras!

Muito obrigado a todos e todas!
João

PS. Clique aqui para ver todos os textos do desafio...

Nós

sábado, 4 de outubro de 2008

A surpresa das esferas


A surpresa das esferas
JRM - Vá andando

Chegávamos ao porto sempre à tarde, e tu disseste tantas vezes que nunca chegaríamos a ir à ilha de que tanto te falava, que cheguei a desconfiar do teu interesse, afinal não conhecias a cidade.
No entanto, tínhamos acertado o dia, o que iríamos fazer num lugar habitado por pouca gente, o que que poderias conhecer, vibravas de curiosidade, nunca tinhas estado numa ilha ou sentido os contornos que a água no seu vaivém deixava no areal, não, não era um rendilhado espumoso e branco, pelo contrário as ondas vinham mordiam os pés fosse Outono ou ainda houvesse gente passeando ressentida de nostalgia estival.
A água era quente, quente, disse-te muitas vezes, mas tu sempre embrulhada em camisolas, puxavas ocorpo muito para frente na mesa do pequeno bar do porto, como se a curiosidade vencesse a temperatura que se fazia sentir, não tiravas os olhos das esferas enterradas no cais.
Ainda na véspera me tinhas interpelado sobre o frio que ali faria de manhã, despistando-me, respondi-te que era só vento, acrescentaste que sim, talvez fosse só vento, mas estava frio, querias andar, querias anda, insistias...
Tocaste-me nas mãos, eu vi nisso um sinal de que te querias ir embora e abraçada, sim abraçada a mim, com uma pequena brincadeira imediata a contornar as esferas, a rir muito alto, como só assim nesse jogo infantil o frio que sentias esparvoasse.
Era e não era assim. Tínhamos vindo até ali ao porto em silêncio, vi-te andar, subir, descendo, contornando, equilibrando-te nas esferas a pulo e as espaços com movimentos harmoniosos, uma alegria quase infantil , um posso-posso.
Os cães de um dos barcos do porto tinham ladrado em uníssono, viam-se algumas lanternas e candeeiros empunhados e uma voz juntava-se a outra de reprovação clamando por sossego, ridicularizando os teus saltos de dança nas esferas e a minha aflição em seguir-te sempre que te pensava ou via quase a cair. Eu ali a redobrar as minhas cautelas e sem meio de te dissuadir na muitas mais voltas que teimavas em fazer.
Isso é um regresso à infância - disse-te, regresso às minhas aulas de bailado contrapuseste, para que eu te visse mais adulta, assim dissimulavas a franca infantilidade que se espraiva no teu corpo franzino, nos teus gestos delicados, nos teus pulos harmoniosos.
Voltamos, amanhã, vamos à ilha, disse-te, e tu entusiasmada assentiste, no entanto, naquele dia atrasaste-te mais do que era habitual, vinhas vestida como se fosse Inverno com a mochila nas mãos muito cheias, o ursito a pendular, querias ir, era tarde, insistias em apanhar o barco, correr, estávamos longe, o dia não te tinha corrido de feição tinhas trabalhado muito à tarde, contrapunhas ao meu silêncio, querias ir custasse o que custasse, tínhamos de correr, querias dançar na praia, trazias tudo, tinhas vindo ali durante a manhã e ali ensaiaste todos os passos nas esferas, uma dança muito remota no teu tempo de mulher, soube-o quando passou um velho com um cão correndo-lhe na dianteira e nos deu as boas-tardes e te perguntou se ias continuar o ensaio das tuas acrobacias ali nas esferas enterradas a beira do porto.

PS. Com que cara fico eu para agradecer toda
a generosidade com que escreveram estes textos?
Brincam com as palavras como um dia eu gostaria
de saber brincar com as imagens.

Muito obrigado José Marto
por este teu texto fantástico.

Praia da Vieirinha - Porto Covo

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Borbulha d’Kotchim



Borbulha d’Kotchim

Sofia

Enxofre? Desde que ali chegara que tinha impregnado o cheiro a enxofre. Disparate, como sabia qual era o cheiro a enxofre? Talvez das químicas dos tempos da escola naquele bafiento laboratório? Talvez.
Toalha ao ombro ia ter com a Gabs à praia. De manhã não tinha ido mas prometera aparecer à tarde, gostava de dormir e à tarde é que a praia era mágica: a arrefecer, a crescer para o horizonte, a caminho do pôr do sol.
Para encurtar caminho metera pés num trilho muito marcado, que ficava na direcção da praia, por ali caminharia menos. A meia centena de passos viu uma fumarada. O cheiro a enxofre. Narinas dentro. Intensificou-se à medida que se aproximava. O mar já se via e teria que passar por aquela neblina. Meia dúzia de passos e ficou com o doce de tomate da avó Tchentcha a borbulhar a seus pés. Enorme! A fazer bolhas em câmara lenta e a rebentarem muito devagarinho ao som da voz da avó: ‘agora’. Lindo.

Para fazer crescer nela o dom da paciência pelo doce que tinha que ferver, por muito e bom tempo, a avó fazia o exercício de contar as bolhas e acertar no tempo de rebentação.

Que espectáculo!

Pois. E se esta coisa começa a acelerar? Porra, isto é uma ilha vulcânica. Apertou-se-lhe o coração de medo. Acelerou o passo e logo à frente começou a descer para virar e aí ver o areal. E a panela de ferro da avó Tchentcha a ficar para trás.

A Gabs estava na água com a sobrinha. Acenou-lhe e correu para beira mar a contar o que vira. Não era novidade. “Passaste no ‘Borbulha d’Kotchim?’ Está assim há séculos”, rui-se ela dos seus temores.

Ps. Mais uma bela história pela mão da Sofia.
Muito obrigado...

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Saltarei, seguirei, pularei…

Saltarei, seguirei, pularei…

Girafa Cor de Rosa - XM - Girafa Cor de Rosa

Será apenas um caminho…uma linha a seguir?
Sendo ou não, saltarei, seguirei essa linha,

Saltitando de saliência em saliência, pedra em pedra, obstáculo em obstáculo.
E no fim? Estará um pote de ouro, como quando existe um arco-íris? Talvez…tentarei, seguirei, saltarei!

Será que são os seixos que fizeram ricochete quando, em criança, os atirei aos ribeiros?
Será que mergulharam, estagnaram, engordaram e com o passar dos anos tornaram-se redondinhos?

Saltos, saltinhos, pulos, pulinhos.
Passos, passinhos.

Seguindo em frente, enlaçando a felicidade.
Macias as saliências, roliças, lisas, ou talvez já com algumas rugosidades, mas desgastadas com o tempo.

Ou elas é que o desgastam – ao tempo? Talvez a vida - desgasta o tempo, as saliências, mas não as rochas duras e casmurras.
E se for no asfalto? O que estará a emergir? Serão sonhos que resistem e insistem em surgir?
Não interessa, seja o que for, saltarei, seguirei, pulando obstáculos, tocando a felicidade!

Girafa Cor de Rosa




Ps. Mais um belo texto de uma amiga que não tenho
ainda o prazer de conhecer pessoalmente.
Muito obrigado!

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Sentidos a meias.

Sentidos a meias.

CristinaGS - A Poeira dos Dias

Tinha ficado muito tempo sem a ver. O trabalho intenso afastou-nos por um período mais longo do que se esperava. Levei-a a passear pelo cais, sentei-me com ela no chão e olhámos o rio num entardecer de Setembro que fazia pender fios de cobre do seu olhar luminoso, mostrei-lhe então a fotografia das pérolas que ele um dia me tinha oferecido. Incapaz de reconstruir o colar fotografei apenas o que restava dele. Olhou a fotografia e, nos seus ingénuos cinco anos, disse: "podiam ser carapaças de 'tacaruga' mas acho que são bolas molhadas enterradas na areia com um vermelho à volta que não sei o que é".

C e C

Ps. Uma contribuição a 4 mãos...
Ou o olhar de uma menina pequenina
Obrigado às duas...

Um beijinho especial para a menina que
vê carapaças de tacarugas na foto!

terça-feira, 30 de setembro de 2008

L'absence - Serge Reggiani

Uma praia, uma ilha.

Química


Química

~CC~ - Ardósia Azul

Dizem que é na água que se encontram todos os segredos das fórmulas secretas do amor. Nicole Kidman diz que engravidou após o seu banho ao luar na água de uma lagoa australiana. Ao luar é apenas um pequeno acrescento. Acredito nesse poder secreto, curativo da água, é boa para limpar a alma e desatar nós. Mas a magia do desejo, essa é chocolate. E vermelho, vermelho escuro também é desejo, mas um vermelho sem adoecer de negro, ou seja ainda com laivos de luz, laivos de lua talvez.

A primeira indicação da receita é que estes bombons devem ser feitos ao luar e em lume brando. A segunda é que cacau deve vir efectivamente da Guiné e não de outro país qualquer. As amoras silvestres devem vir de Trás os Montes e depois de esmagadas devem levar uma colher de mel. O mel deve ser das abelhas do Gerês. Os bombons de amoras silvestres jamais devem ser comidos de dia, sempre só depois do crepúsculo. Obviamente devem ser comidos por amantes, só por amantes.

~CC~

Ps. Aqui fica a contribuição da amiga ~CC~.
Cheia de alquimia e de espírito Almar..
Obrigado ~CC~

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Amor e uma cabana...

Para todos os que acreditam na máxima do amor e uma cabana...
Esta fica na Carrasqueira.

Agora que se fala de Magalhães



Vale a pena visitar o que alguns professores já fazem com computadores.
Veja aqui a continuação da história.

domingo, 28 de setembro de 2008

Do outro lado do espelho


Do outro lado do espelho

Do outro lado do espelho também crescem cogumelos impregnados de sabedoria que extraem da terra. De repente, numa veneta luminosa sacou de um pedaço do basidiomiceto, levou-o à boca e logo começou a sentir a alquimia micorrízica resultante das emanações do potássio, do azoto e do fósforo. Primeiro não passou de uma ligeira comichão nas fontes que foi aumentando até se assemelhar à sensação de um comprimido efervescente. A seguir foi a verdadeira vertigem de quem cai num precipício de muitos metros. Quando voltou a si estava realmente noutro mundo. Pôs-se a vadiar na sua calma liliputeana, sem qualquer pressa apesar de sentir o estômago a dar horas. Avistou então um parque de estacionamento de discos voadores e pensou: deve haver aqui um McDonald’s.

JJS 2009.09.24


Ps. Obrigado JJS por aceitares o desafio...
Boas contagens aí pelo Sul.
Um abraço
João

A minha ilha...

Não sei quantos mais lhe chamarão sua...
Mas haverá mais, certamente.
Está lá, é de todos...

Perto de mim, esta manhã, havia ainda vestígios de outras pessoas...
Um pedaço de madeira enterrado na areia com pedras à volta


Por vezes, gosto de a sentir também um pouco minha,
quando me sento na areia e a olho de frente.

Sei que só o será enquanto quiser.
Não adianta o que eu diga ou pense...

Por isso gosto de a visitar quando outros não o fazem.
Quando a praia, que se estende à sua frente, fica deserta...
Como esta manhã em que estivemos sós.

Só nós dois, eu e a minha ilha!

Um cão na praia